•Novembro 23, 2008 •
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“I wish we could give it a go” – Kate Nash
Só você e eu. Em Ubatuba. Praia do Prumirim, deserta.
O dia está agradável: nem muito quente, nem muito frio. Uma leve brisa dissipa o calor do mormaço.
Você está linda. De biquíni preto, mostrando os lindos seios fartos. Seu cabelo é acariciado pela brisa, fazendo com que os fios fiquem brincando pelo seu rosto.
Meu sorriso é de satisfação. Porque ninguém pode nos deter. O mundo é nosso, para nosso prazer.
Procuro os seus olhos, e você sorri, com cumplicidade. Aliso o seu rosto com meus dedos. Com a outra mão, seguro a sua nuca e te beijo. Um beijo que durou dois anos para se realizar.
Te abraço enquanto nossas línguas dançam, felizes. Sinto suas mãos nas minhas costas. O mundo poderia acabar agora, porque você está comigo. E eu te amo.
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•Julho 13, 2008 •
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Impossível não chorar ouvindo Little Wing. Ali está o Artista. Nada mais de conjecturas, ensaios, exitações. Não. Ali é o Artista colocando todo seu ki em sua criação. É Deus, é a união do homem com o sagrado, é uma representação musical de tudo o que existe de belo no planeta Terra.
Hoje vou dormir sorrindo.
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•Junho 28, 2008 •
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Fracassei?
Não passei no concurso. Eram 70 questões, acertei 62.
Fracassei?
Fiz o melhor que pude, com o que tinha na hora.
Fracassei?
Não vou conseguir me livrar daquele lugar. Mais dias à frente de raiva, preocupação e falta de grana.
Fracassei?
Todo mundo diz que não. Que fui muito bem. Que perdi para idiotas com mestrado/doutorado (prova de títulos). Que ninguém passa no primeiro concurso.
Fracassei?
Têm sido 26 horas de fúria, mágoa e ressentimento. Contra mim, a vida, Deus, a prova, minha vida, aquele trabalho ridículo, a vida, minha falta de dinheiro e a vida.
Fracassei?
Não. Estou apenas fazendo o que posso.
Mas preciso do impossível.
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•Junho 22, 2008 •
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Estou num lugar que sei que é o Shopping Eldorado, mas que não é. É no carnaval, e estou andando. Uma mulher burguesa não pára com seu carrinho, e me acerta. Não pede desculpas, e ainda me xinga. “Mal educada”, digo para ela.
Estou centrado em mim mesmo. Fechado para o mundo. Sinto uma bela mulher (ali, é loira) se aproximar e me paquerar. Continuo fechado em mim mesmo. Só dou bola quando ela faz carinho na minha mão e diz que quer continuar fazendo. Eu finalmente pergunto “você só quer fazer isso?”, rindo.
Nos beijamos, é um beijo gostoso, a língua dela é experiente. Subimos uma escada rolante, e ela passa a ser morena, uma moça de pele muito branca e de cabelos bem negros, em estilo chanel, meio pin up (manja a Diablo Cody sem tatugens?). Na verdade, é a imagem de uma menina que tentei namorar uns anos atrás, mas ficamos apenas.
De repente, estamos na USP e ela some, tento acompanhá-la, mas ela está sempre uns metros na frente e começa a falar com outras pessoas, abraça e beija no rosto e fico com ciúmes, e percebo então que era mais uma pessoa que simplesmente passou pela minha vida.
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•Junho 22, 2008 •
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Lembro do Pin Ups em 1998. Era bem o que chamavam de bubble gum, e também tinha uma vocalista com uma voz gostosa e uma guitarrista gostosa mesmo. E tinha um dos melhores guitarristas do Brasil e um puta baterista.
Era tudo mais fácil naquela época, minhas preocupações eram encontrar alguém que não odiasse Pin Ups, o que nunca consegui, e conseguir entender Saussurre, o que também (quase) nunca consegui.
Ouvia Pin Ups, Stereolab, Madeixas (por causa da vocalista), Screaming Trees (?) e Garotos Podres.
Sessão nostalgia.
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•Junho 21, 2008 •
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Tudo o que estava guardado e que estava sufocado e que estava esquecido saiu. Eu voltei. Com meu gosto obsessivo por rock de má qualidade, com meus sonhos de sair daqui e com meus projetos da tatuagem de samurai.
O tesão pela vida. A vida numa respiração.
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•Junho 21, 2008 •
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Então voltei ao trabalho. Então eles continuaram sem me pagar. Mas não foi uma coisa localizada, entende, sim, porque é necessário entender o contexto, eles estavam putos comigo. Não importa o dedo quebrado. Trabalhe, seu filho da puta, precisamos da sua produção para manter nosso Cayenne.
Mas eu não trabalhei e tive uma grata surpresa: o sistema funciona. Funciona do modo dele, mas funciona. De repente, todos aqueles reais que eram descontados da minha grana se transformaram em dois salários, pagos no valor e no dia que disseram que seria. Pela primeira vez em um ano e meio, tinha o dinheiro que deveria ter ganhando o salário que ganho.
E aconteceu de eu ser o único não desesperado nesse mês de junho naquele profano local de trabalho. E aí o dinheiro das pessoas começou a acabar, e elas começaram a faltar. Uma colega não foi, e ficamos todos na rua, pois ela é a que tem a chave. Minha chefe também não foi, pois estava gripada. E a nova aquisição da empresa foi embora mais cedo, sei lá porquê. E lá estava eu, sozinho, o herói da resistência, querendo mandar tudo pro caralho.
Deveria ter recebido ontem, e ficaria numa situação muito boa, mas não pagaram. Tudo de nov. Deus, quando essa merda vai acabar?
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Tags: atraso, filhos da puta, heróis, salário
•Abril 26, 2008 •
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A frase merecia uma resposta simples (”não”, se fosse um troglodita ou um cavalheiro Jedi, “sim” se seguisse a norma da boa convivência, não, boa convivência não, melhor dizer convivência estipulada por ritos e instintos de auto-defesa, uma terceira opção seria “não sei”, mas tal resposta poderia levar a uma série de formulações mentais e, conseqüentemente, perguntas que não estava a fim de responder).
- Tudo.
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•Abril 26, 2008 •
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Você escreve, né? Você pode usar isso.
Estranhei a pergunta. Se eu escrevo? Bom, sou jornalista, então sim.
- Como assim?
- No blog.
Putz, então tenho já uma fama de escritor? A pergunta foi da esposa de um amigo. Estava conversando com ela e suas amigas, que por sua vez, conversavam sobre o fato (?) de todo homem ser um porco. Então uma delas me olhou meio que pedindo desculpas-tirando sarro-sem graça por ter dito aquilo na minha frente. Para atiçar, eu disse que achava legal, porque poderia ter uma idéia do que as mulheres conversam entre elas, e acho que consegui o efeito que desejava, porque a moça em questão ficou meio puta, mas que se foda, o que eu queria era deixar uma impressão, e deixei, ganhei um tchau quando ela foi embora. Mas entendi mais tarde, ela tinha terminado com o namorado no dia anterior, e em uma situação como essas, qualquer mulher diria que nós todos somos suínos. Bom, todas dizem em ocasiões normais, eu acho, ou têm vontade de dizer, tipo quando você está na lavanderia e pede para uma bela moçoila passar o sabão, ela vira e diz “claro. A propósito, todos os homens são porcos”. Isso nunca aconteceu com vocês? Nem comigo, mas quem sabe o que o dia de amanhã poderá nos trazer?
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•Abril 25, 2008 •
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Cara, que merda. Nariz inchado, olhos vermelhos – não, não fumei maconha seus filhos da puta -, dor no corpo (viram, era só ter lido mais um pouco) e espirros, muitos espirros.
Bem no final da semana da Virada. Do Akira em tela grande, do show da Fernanda Takai e das demonstrações de taiko.
Caraio.
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