•junho 22, 2008 •
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Estou num lugar que sei que é o Shopping Eldorado, mas que não é. É no carnaval, e estou andando. Uma mulher burguesa não pára com seu carrinho, e me acerta. Não pede desculpas, e ainda me xinga. “Mal educada”, digo para ela.
Estou centrado em mim mesmo. Fechado para o mundo. Sinto uma bela mulher (ali, é loira) se aproximar e me paquerar. Continuo fechado em mim mesmo. Só dou bola quando ela faz carinho na minha mão e diz que quer continuar fazendo. Eu finalmente pergunto “você só quer fazer isso?”, rindo.
Nos beijamos, é um beijo gostoso, a língua dela é experiente. Subimos uma escada rolante, e ela passa a ser morena, uma moça de pele muito branca e de cabelos bem negros, em estilo chanel, meio pin up (manja a Diablo Cody sem tatugens?). Na verdade, é a imagem de uma menina que tentei namorar uns anos atrás, mas ficamos apenas.
De repente, estamos na USP e ela some, tento acompanhá-la, mas ela está sempre uns metros na frente e começa a falar com outras pessoas, abraça e beija no rosto e fico com ciúmes, e percebo então que era mais uma pessoa que simplesmente passou pela minha vida.
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•junho 22, 2008 •
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Lembro do Pin Ups em 1998. Era bem o que chamavam de bubble gum, e também tinha uma vocalista com uma voz gostosa e uma guitarrista gostosa mesmo. E tinha um dos melhores guitarristas do Brasil e um puta baterista.
Era tudo mais fácil naquela época, minhas preocupações eram encontrar alguém que não odiasse Pin Ups, o que nunca consegui, e conseguir entender Saussurre, o que também (quase) nunca consegui.
Ouvia Pin Ups, Stereolab, Madeixas (por causa da vocalista), Screaming Trees (?) e Garotos Podres.
Sessão nostalgia.
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•junho 21, 2008 •
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Tudo o que estava guardado e que estava sufocado e que estava esquecido saiu. Eu voltei. Com meu gosto obsessivo por rock de má qualidade, com meus sonhos de sair daqui e com meus projetos da tatuagem de samurai.
O tesão pela vida. A vida numa respiração.
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•fevereiro 5, 2008 •
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Adeus Blogger, olá WordPress. Será que presta?
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•fevereiro 2, 2008 •
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Meditação realmente é algo interessante. Uma boa ferramenta para se auto-analisar.
Vejamos. Mais uma vez, não recebi o salário inteiro, e saí de férias sem receber as férias. E muito pior do que isso, é o descaso com meus colegas e eu somos tratados. Nenhum aviso – até último dia, quando recebemos um “mea culpa”, nenhuma desculpa, nenhum nada.
Fico irritado, preocupado, mas tento me animar, tento sorrir, pensar em coisas melhores. Mas nada disso resiste à meditação. É chegar lá, sentar em seiza, esvaziar a cabeça e tudo começa a sair, aquele enorme reservatório de raiva e tristeza é colocado para fora e choro, choro até minha barriga doer, tudo o que guardei vai pelo ralo. Rios de vômito de coisas ruins.
E aqui estou eu, relativamente mais sossegado, e bem mais equilibrado.
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•janeiro 25, 2008 •
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Sim, sua indignação é fraca. Você reclama do final da semana na mansão do seu pai, e da fila do banco a que você ainda não foi, e você reclama do sol forte ou do vento frio.
Você não reclama do salário atrasado, e nem da falta de satisfações.
Sua indignação é fraca. Você reclama da vida, mas você não confia nela – e nem em si mesmo. Sim, você disse. “Nesta vida, não podemos confiar em ninguém, nem em nós mesmos”.
Ser pútrido. Lesma do abismo. Puxa-saco filha da puta. Saia, vá embora. Vá desonrar outros com sua presença asquerosa.
Você reclama, reclama e reclama sobre o mínimo, e faz de conta que o máximo não te abala. Por dentro, você quer estrangular quem te oprime, mas tudo o que consegue fazer é denunciar quem explode.
Sua indignação é fraca, porque é falsa. Seus dias são um martírio, e tudo o que você quer é que as coisas acabem rápido.
Filha, coloque todo o seu ódio e desgosto contra o que vale a pena ser odiado e desgostado.
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