Explicando…

•Abril 24, 2008 • Deixe um comentário

Dor.

Não é essa dorzinha de cabeça que você cura com um tylenol, não. Nem uma dor nas costas, ou na batata da perna, caso daquele festival de manés que resolvem correr 2km no final de semana, após uma semana inteira de rabada e big macs. Ou mesmo dores do estilo Mano Brown, mais fuderengas (elogio ou xingo?), como aquelas de um dedo quebrado, da enxaqueca ou do parto (que ele não leia isso).

Não, porra. É uma dor que começa durante o sono, acompanha o fodão aqui o dia inteiro e some apenas no momento em que a vigília e o sono começam a se tornar uma coisa só. 24 horas por dia de dor, feriados e finais de semana inclusos. Dor de cabeça, pulsante e invencível, apertando e comprimindo meus olhos e testa, espremendo meus pensamentos.

O fato é que, após alguns anos dessa rotina, a sensação é de que você é uma forma de vida inviável. Baladas, trampo, viagens, escolas, cursos, namoros, fodas, leituras, sessões de TV e cinema, nada satisfaz. Porque tudo é dolorido, sofrido.

Otimismo. Otimismo é a muleta dos canalhas. Auto-ajuda, psicoterapia, Zibia Gasparetto, yoga, vão todos pro caralho. Neguinho adora falar do que não conhece, do que não experimentou. Não, cara. Inconscientemente, fico de sobreaviso, em postura de defesa, tentando evitar que uma simples saída na rua acabe em um festival de inibidores de ciclooxigenase-2.  

Migração

•Fevereiro 5, 2008 • Deixe um comentário

Adeus Blogger, olá WordPress. Será que presta?

•Fevereiro 2, 2008 • Deixe um comentário

Meditação realmente é algo interessante. Uma boa ferramenta para se auto-analisar.
Vejamos. Mais uma vez, não recebi o salário inteiro, e saí de férias sem receber as férias. E muito pior do que isso, é o descaso com meus colegas e eu somos tratados. Nenhum aviso – até último dia, quando recebemos um “mea culpa”, nenhuma desculpa, nenhum nada.
Fico irritado, preocupado, mas tento me animar, tento sorrir, pensar em coisas melhores. Mas nada disso resiste à meditação. É chegar lá, sentar em seiza, esvaziar a cabeça e tudo começa a sair, aquele enorme reservatório de raiva e tristeza é colocado para fora e choro, choro até minha barriga doer, tudo o que guardei vai pelo ralo. Rios de vômito de coisas ruins.
E aqui estou eu, relativamente mais sossegado, e bem mais equilibrado.

Peso

•Janeiro 26, 2008 • Deixe um comentário

ESTAVA triste. Tinha sido um dia mais ou menos assim:
- Minha chefe havia me dado um esporro por algo que não era – inteiramente – culpa minha;
- Não haviam pagado o salário;
- Um entrevistado estava com a pá virada e descontou em mim;
Passei o resto da tarde tentando me animar, mas a sensação de briga, de conflito continuava. Então fui para o Aikido, e comecei a fazer a meditação. Quando consegui esvaziar a cabeça, um pensamento começou a latejar. Um pensamento de tristeza, uma vontade indescritível de chorar.
Então entendi. Eu estava TRISTE. Eu estava PUTO. E ficar tentando me convencer que tudo estava bem era um verdadeiro absurdo.
Senti, fisicamente, que um peso enorme saiu dos meus ombros.

Sua indignação é fraca, porque não tem base

•Janeiro 25, 2008 • Deixe um comentário

Sim, sua indignação é fraca. Você reclama do final da semana na mansão do seu pai, e da fila do banco a que você ainda não foi, e você reclama do sol forte ou do vento frio.
Você não reclama do salário atrasado, e nem da falta de satisfações.
Sua indignação é fraca. Você reclama da vida, mas você não confia nela – e nem em si mesmo. Sim, você disse. “Nesta vida, não podemos confiar em ninguém, nem em nós mesmos”.
Ser pútrido. Lesma do abismo. Puxa-saco filha da puta. Saia, vá embora. Vá desonrar outros com sua presença asquerosa.
Você reclama, reclama e reclama sobre o mínimo, e faz de conta que o máximo não te abala. Por dentro, você quer estrangular quem te oprime, mas tudo o que consegue fazer é denunciar quem explode.
Sua indignação é fraca, porque é falsa. Seus dias são um martírio, e tudo o que você quer é que as coisas acabem rápido.
Filha, coloque todo o seu ódio e desgosto contra o que vale a pena ser odiado e desgostado.