Dor.
Não é essa dorzinha de cabeça que você cura com um tylenol, não. Nem uma dor nas costas, ou na batata da perna, caso daquele festival de manés que resolvem correr 2km no final de semana, após uma semana inteira de rabada e big macs. Ou mesmo dores do estilo Mano Brown, mais fuderengas (elogio ou xingo?), como aquelas de um dedo quebrado, da enxaqueca ou do parto (que ele não leia isso).
Não, porra. É uma dor que começa durante o sono, acompanha o fodão aqui o dia inteiro e some apenas no momento em que a vigília e o sono começam a se tornar uma coisa só. 24 horas por dia de dor, feriados e finais de semana inclusos. Dor de cabeça, pulsante e invencível, apertando e comprimindo meus olhos e testa, espremendo meus pensamentos.
O fato é que, após alguns anos dessa rotina, a sensação é de que você é uma forma de vida inviável. Baladas, trampo, viagens, escolas, cursos, namoros, fodas, leituras, sessões de TV e cinema, nada satisfaz. Porque tudo é dolorido, sofrido.
Otimismo. Otimismo é a muleta dos canalhas. Auto-ajuda, psicoterapia, Zibia Gasparetto, yoga, vão todos pro caralho. Neguinho adora falar do que não conhece, do que não experimentou. Não, cara. Inconscientemente, fico de sobreaviso, em postura de defesa, tentando evitar que uma simples saída na rua acabe em um festival de inibidores de ciclooxigenase-2.
